Ao se atacar o adversário também se coloca o eleitor deste no “pacote”

Entre atacar o adversário e o eleitor, por tabela, há uma linha quase imperceptível. Em discurso durante inauguração do comitê de campanha do deputado federal Cabo Gilberto Silva, no bairro de Mangabeira, em João Pessoa, a candidata a vice-governadora Nayana Pontes (PL) saiu com um: “ninguém aguenta mais essa raça de de petistas”.

E completou: “de gente retrógrada, e que precisa ser caçada”. Claro, todos falam para uma bolha, sejam de direita ou de esquerda. Mas, os discursos das campanhas estão cada vez menos politicamente corretos. A polarização ainda está muito latente no país.

Certo, mas a tal “raça de petistas” se supõe ser a representada por Lula (PT) e que, na Paraíba, obteve 1.601.953 votos contra 802.502 para o então presidente Jair Bolsonaro (PL), no segundo turno das eleições de 2022.

Ou seja, ao se atacar a “raça” se ataca também quem a colocou no poder. E, se o objetivo é atrair esse eleitor para o lado “direito” da força, convém não condenar o que passou e avançar com um projeto para o país. Que, aliás, está em falta.

Sobram ataques e discursos de efeito, mas só isso não vai conquistar um eleitorado que pode até estar arrependido, mas nem vai admitir, muito menos querer ser ofendido.

Lula vai buscar a reeleição em outubro deste ano contra um outro Bolsonaro, o senador Flávio.

Já Nayana é vice na chapa encabeçada pelo senador Efraim Filho (PL).

E essa é apenas uma breve análise da semântica do discurso. Lembrando que a “raça política”, independente de qual lado esteja, depende do eleitor para apertar o “Confirma” na urna eletrônica.