A cena balizada: casal briga, homem armado, mulher assasinada, um “surto”, nem sempre um, mas comumente alegado para justificar a violência verbal que termina com a física e descamba para uma morte que, infelizmente, é sempre de uma mulher.
Não adianta seguir todas as “dicas” dadas por homens: não usar maquiagem, não usar roupa curta, não sair de casa, não falar. Uma mulher sempre morrerá apenas por ser.
Não adianta apenas aumentar penas, quando o sistema prisional do Brasil tem tanta brecha que mais favorável o atrasador do que a vítima – é a realidade. Não está funcionando.
Precisamos de mais, que homens seja homens, que ensinem outros homens que a fila anda, que sentimento de posse se aplica a bens materiais – e de forma saudável – e não a seres humanos, a mulheres. Que não é não. Que se mete a colher, sim. Surto não pode ser justificativa a ser dada, muito menos entendida.
Estamos no Mês do Laço Branco, uma mobilização global focada em engajar homens e meninos no combate à violência contra mulheres e meninas. Então, homens, mexam-se. Se comprometam, não silenciem diante diante de qualquer tipo de violência contra mulheres.
Ao longo dos anos, o poder público tem buscado combater a violência contra a mulher. A Lei Maria da Penha foi uma virada de chave. As rondas, botões do pânico, aplicativos, medidas restritivas, além do empoderamento financeiro, são conquistas importantes, mas ainda não alcançam a todas.
Sendo assim, é preciso se voltar agora para a educação, aquela de dentro de casa, que pode até não corrigir o passado, mas que pode influenciar no futuro, precisa ser repensada, sem transferências para outros. É urgente.




