Quando é para aumentar o número de deputados, não se fala em corte de gastos. Quando se trata de emendas parlamentares dos congressistas ou de regalias para o Judiciário, ninguém nem lembra de cortes. Agora, parlamentar já aposentado, mas com mandato vigente, poderá manter as duas rendas. Corte de gastos? O que isso mesmo?
Essa última proposta é da Mesa Direta da Câmara Federal, assinada pelo presidente Hugo Motta (Republicanos), é extensiva a todos os Legislativos (estaduais e municipais), além de prefeitos.
É muita hipocrisia política de uma casta que usa de discursos bonitos, mas não segue o que diz. Aliás, faz ouvido de mercador.
Hugo Motta tem emprenhado o discurso de que o governo precisa cortar gastos, inclusive, ameaçando travar a pauta de votações. Mas, mexer no próprio bolso, ninguém quer. Isso vale para direita, esquerda e centro. Silêncio.
E a crítica aqui não significa defesa do Governo Lula. A carga tributária do país está pesando e muito no bolso do trabalhador. Mas, é preciso esforço do Executivo e Legislativo.
O projeto não apresenta estimativa de impacto financeiro, embora implique em aumento de gastos.
Um deputado com mais de 65 anos, por exemplo, não pode acumular o salário de R$ 46.366,19 com a aposentadoria – que é proporcional ao tempo de contribuição e pode chegar a mais que o valor do salário integral. Ele só pode receber um dos pagamentos por vez.
A proposta é assinada por Hugo Motta e pelos representantes do PT, PL, União Brasil, PP e PSD na Mesa Diretora. Apenas o representante do MDB não assinou. Ainda nessa quarta-feira (11), União Brasil e PP cobraram do governo Lula medidas para corte de gastos e afirmaram que votarão contra iniciativas de aumento de impostos.




