O Brasil e uma legislação de trânsito que precifica o valor da vida

Uma vida vale apenas R$ 15 mil? Ao que parece, de acordo com a legislação de trânsito brasileiro, a morte tem “preço”. Na última sexta-feira (30), o zelador Maurílio Silva de Araújo estava na calçada do prédio onde trabalhava, quando foi atropelado – faleceu nesta manhã – por um carro conduzido por Arthur José Rodrigues de Farias, de 22 anos.

O estudante de medicina apresentava sinais de embriaguez, segundo a polícia, mas se recusou a fazer o teste do bafômetro. A informação é de estaria voltando de uma festa de formatura. Primeiro erro: em casos como esse deveria ser obrigatório.

Foi preso, mas pagou uma fiança de apenas R$ 15 mil enquanto o zelador lutava pela vida em um hospital da Capital. Segundo erro: um caso dessa natureza não deveria nem ser cogitada a fiança.

Terceiro: infelizmente, é correto afirmar que, hoje, a legislação de trânsito brasileira precifica o valor de uma vida. Sim, R$ 15 mil é o valor da liberdade de alguém que cometeu um crime dessa natureza – segundo informações, o acusado voltava de uma festa. É quanto vale a vida, a preço de hoje, de Maurílio Silva de Araujo, de 48 anos.

Arthur é filho da prefeita de Pilar, Patrícia Farias. Claro, a mãe ter dinheiro ajuda a pagar bons advogados. Mais errada do que Arthur, é a nossa legislação que é tão irresponsável quanto e que precisa, urgentemente, ser revista.