Bolsonaro, derrotado pelo radicalismo atrasado

Não pauto aqui se a proposta de reforma tributária aprovada, é a ideal para o país. Aqui pauta o futuro político do ex-presidente Jair Bolsonaro, pós-inelegibilidade. Arrisco dizer que começou errado, com um radicalismo que lhe é peculiar, mas que lhe custa a liderança da direita.

Ao usar o discurso “do contra”, quando foi eleito em 2018 como um presidente “reformista” e que teve essa pauta nas mãos, acaba enterrando o próprio discurso. Tudo em nome de ser oposição por oposição.

A “reforma do PT”, como batizou o ex-presidente, não só passou, como contou com 20 votos de deputados do PL. Os parlamentares devem ter calculado que os chiliques de Bolsonaro não trarão ganhos, nem em emendas nem eleitorais.

E outra: ao queimar o governador Tarcísio de Freitas, principal nome da direita com cargo eletivo e aliado até agora, que até tentou explicar, mas foi calado, Bolsonaro acabou derrotado pelas armas com as quais se acostumou: além do radicalismo, fake news e desinformação.

Tarcisio apenas alertou para que a direita não perdesse o discurso da reforma porque, ao ser aprovada, quem levaria o crédito? Justamente, o governo do PT. Apesar de a proposta ser originalmente da Câmara Federal, mais precisamente do deputado Baleia Rossi, do MDB, claro, abraçada por Lula.

Arrisco dizer que Bolsonaro acabará solitário com um séquito digital cada vez menor e impaciente. Até para ser radical, precisa-se ter discurso sólido e coerente, o que não se vê no ex-presidente.

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