Está formado o paredão entre Campina e João Pessoa

A live realizada pelo prefeito de Campina Grande, Bruno Cunha Lima (PSD), que não aceita o fato de o município ter sido classificado com bandeira laranja, o que implicaria medidas mais restritivas no combate à Covid-19, reacendeu não apenas o discurso bairrista entre João Pessoa e Campina, que podemos até achar “fofo” quando usado positivamente.

Reacendeu também o velho discurso de que Campina Grande é vítima de perseguição política e administrativa por parte do Governo do Estado – Cássio Cunha Lima também passou por isso quando governador. Que fique claro que não vem de agora, vem de décadas. Em meio a isso tudo: o caos na saúde com a explosão de casos de Covid-19, em toda a Paraíba.

Não que Bruno não possa defender Campina, pode e deve, mas não se faz necessário, nesse momento, querer transformar a cidade em “ilha”. Será que esse é o momento para se fazer política? Vejamos. O prefeito foi às redes sociais dizer que estava de portas abertas para receber pacientes vindos de Manaus, assim como fez João Pessoa, mesmo com os riscos da nova cepa. Parabéns!

Agora, com essa classificação – em vigor a partir desta segunda-feira (08) -, será que a postura mudou? Ou seja, Sertão e Litoral terão as portas fechadas? Porque se for para “passar na cara”, como diria “lá em nós”, melhor nem ir. Adoto um discurso bairrista também, até porque vim de Patos e me estabeleci em João Pessoa. Como costuma dizer o próprio prefeito, é hora de “espíritos desarmados”.

Durante a transmissão ao vivo, Bruno Cunha Lima citou a Capital do Estado. Em João Pessoa, usando dados do Conselho Regional de Medicina da Paraíba, ele afirmou que existiam, em 2020, 128 leitos de UTI, mas, este número caiu para 75, no último dia 19 de fevereiro. Já em termos de leitos de enfermaria, o município sofreu queda de 291 para 90, no mesmo período. “Uma clara mostra da falta de planejamento e ineficiência da Secretaria de Saúde Estadual”, resumiu o prefeito. 

João Pessoa, essa, que sempre abraçou os campinenses que costumam descer a Serra da Borborema nos finais de semana e nas férias. A duplicação da BR-230 encurtou caminhos econômicos e sociais, é fato, mas não diminuiu, ao que parece, o “ranço” de uns poucos.

A denúncia não ficou sem resposta. Líder da bancada governista na Câmara Municipal de João Pessoa, Bruno Farias (Cidadania) lamentou, na noite deste domingo (07), declarações “desatualizadas” do prefeito de Campina Grande, Bruno Cunha Lima (PSD), que citou dados, segundo o parlamentar, falsos sobre os leitos de UTI em João Pessoa.

“O prefeito de Campina, talvez induzido ao erro, disse que o hospital Santa Isabel reduziu o número de vagas de UTI de 40 para 20. Essa informação não procede. Isso é uma fake news! O plano de contingência da unidade na gestão Luciano Cartaxo previa 50 leitos de UTI para o Ministério da Saúde, mas era pura ficção. E nunca chegou a 20. Só recebemos 10”. E completou: “Em poucos dias, Cícero abriu mais 60 vagas em uma única unidade hospitalar, sem falar das 25 novas que estão sendo abertas no Pronto Vida”, desabafou Bruno Farias.

O líder explicou que, ao contrário do que o prefeito de Campina Grande falou, “a rede municipal conta agora com 227 leitos exclusivos para Covid-19, sendo 100 de UTI, 95 de enfermaria e 32 de estabilização”. “Sem falar que Cícero e Leo abriram 5 novas usinas de oxigênio, o que exigiu a adequação das UPAS e hospitais”, esclareceu.

Farias disse ainda que, ao invés de usar as redes sociais para disseminar medo e desinformação, após uma reunião em que o governador João Azevedo (Cidadania) mostrou-se aberto ao diálogo, o prefeito da Rainha da Borborema deveria assumir a postura de gestor de uma grande cidade que tem o papel de atender a sua macrorregião, sem se lamentar por este papel, já que recebe recursos para tanto.

“Não é hora de divisionismo nem de politicagem. O que a Paraíba precisa é de união para salvar vidas. Graças a Deus e ao povo, João Pessoa escolheu um gestor humano e consciente de sua responsabilidade”, arrematou o líder.

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