Cícero critica segurança, mas taxar de “operaçãozinhas” pode ser tiro no pé

Quem diz o que quer, ouve o que não. Entenda o embate entre o ex-prefeito Cícero Lucena (MDB), candidato ao Governo da Paraíba, e o secretário de Segurança Publica do estado. Primeiro, o emedebista chamou as operações de combate às faccões criminosas de “operaçãozinhas”, em entrevista ao Correio Debate (98 FM), e Jean Nunes mandou a réplica: “Deu emprego para faccionado”.

No início da tarde, em uma sabatina, Cicero afirmou que o governo faz maquiagem com essas operações. “Com ‘operaçãozinhas’, talvez prendendo trombadinhas, prendendo quem menos influencia esse sistema. Até porque a questão da segurança é de responsabilidade do Governo do Estado”.

A filha do ex-prefeito, Janine Lucena, teve a candidatura barrada pelo Tribunal Regional Eleitoral da Paraíba, pedido pelo Ministério Público por suposto elo com facções criminosas. Recorreu ao Tribunal Superior Eleitoral, mas teve recurso negado e renunciou à disputa como primeira suplente de Veneziano Vital do Rêgo (MDB).

No início da noite, em entrevista ao programa Hora H (Rede Mais), o secretário Jean Nunes disparou: “Quem deu guarida, espaço para faccionados aqui no Estado não foi a Força de Segurança Pública do Estado e muito menos o governo do Estado. Quem deu guarida, quem deu espaço, quem deu emprego em Prefeitura foi exatamente o ex-prefeito e o grupo dele na Prefeitura de João Pessoa, o que foi tornado claro nas operações da Polícia Federal, operação Território Livre, operação Mandare. São dados públicos”, disse.

No meio da noite, Cícero usou a redes sociais para a tréplica: “A Paraíba está sem governador. Enquanto a violência cresce e os escândalos aumentam, o secretário de segurança da Paraíba prefere defender o próprio cargo. Secretário, vá lutar pelas nossas forças de segurança, que hoje recebem o segundo pior salário do Brasil e o mesmo efetivo de quase 20 anos atrás”.

Cicero cumpre com o seu papel de oposição, e não err ao colocar o tema segurança pública para discussão, mas se esqueceu que, ao minimizar o trabalho dessas operações, não atinge apenas à gestão do governador Lucas Ribeiro, que concorre à reeleição, mas as forças de segurança do estado, que envolvem as polícias Militar e Civil.

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