Cícero só escancarou o que muitos não querem entender: o “voto cruzado” veio para ficar

O ex-prefeito Cícero Lucena (MDB), pré-candidato ao governo da Paraíba, só escancarou o que já se sabe: o “voto cruzado” é realidade e não da sinais de que deixará de existir nas eleições do estado. Concordando ou não, o emedebista deu o tom: “Quem quiser trabalhar diferente disso está querendo se enganar ou enganar a quem quer que seja”.

O voto cruzado foi normalizado nessa pré-campanha eleitoral, principalmente em relação à disputa pelas vagas ao Senado, e em se tratando de apoios por parte de prefeitos, alheios a partidos.

A “modalidade”, digamos assim, foi inserida nas eleições de 2022, quando o Republicanos decidiu manter o apoio à Efraim Filho, que havia rompido com o grupo governista e migrado para a oposição. Com bases já trocadas e a campanha batendo à porta, desfazer o acordo causaria prejuízos eleitorais a muitos. A própria base governista acabou aceitando o arranjo.

“Acho que a antecipação do processo eleitoral estabeleceu que a gente não tivesse mais um voto verticalizado, mas sim, cruzado. Essa é a realidade que está posta”, disse Cícero na chegada à solenidade de inauguração da nova sede da Câmara de João Pessoa. Ele foi homenageado com a ‘Medalha Cidade de João Pessoa’.

E disse mais: “Quem quiser trabalhar diferente disso está querendo se enganar ou enganar a quem quer que seja. Então, eu acho que cabe a cada um conquistar. Vou conquistar o voto através da minha história, da minha vida, da minha experiência e do meu compromisso futuro. Não é aceitável, é o que está posto”.

Ao dizer que o mecanismo é real, e sugerir que não há como ir de encontro a isso, Cícero destoa de lideranças da oposição, a exemplo do senador Veneziano Vital do Rêgo, presidente do MDB na Paraíba e pré-candidato ao Senado, e do ex-deputado federal Pedro Cunha Lima, que comanda o PSD.

Estes defendem unidade de voto em relação à chapa majoritária, e não estão errados em fazê-lo. Por outro lado, precisam lembrar que também estão sendo beneficiados por esse voto cruzado. A essa altura, dispensar apoio, em uma eleição majoritária tão acirrada, deixou de ser opção.