As muitas faces da violência contra a mulher e a “vergonha” que só recai sobre a vítima

Rico, pobre, preto, branco, estudado ou não, de boa família ou não, a violência contra a mulher não tem cor, raça ou religião. Tem, sim, homens que se acham donos, fortes, seguros de si e que andam tendo a certeza de que podem coagir, amedrontar, bater, estuprar, matar e ainda sair andando como “reis” que nunca serão.

Agora, sabe o que é engraçado, no sentido figurado claro, quando são presos, choram, alegam surtos, “não foi bem assim” mesmo diante de vídeo, fotos, exame de corpo de delito.

Sim, porque mesmo diante de agressões brutais, é a mulher vítima que é exposta diante do mundo, indo à polícia, tendo muitas vezes que explicar as marcas – olha que contraditório – e ainda ter que dizer o porquê de ser agredida. Como se fosse preciso ter uma causa para violência. 

O caso da médica Raphaela Brilhante, recém-casada e que teria sofrido violência do marido, cantor João Lima, “menino bom”, de família tradicional. Em um áudio, ela diz que a mãe notou as marcas, mas que ela ficou com vergonha.

Porque é isso que a sociedade impõe a mulher, conscientemente ou não, a sensação de que não se pode denunciar, que algum “dano” será causado, a vergonha que paralisa. Vejam, o dano já foi causado. 

As marcas físicas vão sair, a psicológica não. Mas, o que todos parecem ignorar são as marcas invisíveis a que a sociedade impõe à mulher agredida: o dedo apontado, tal qual a letra escarlate, sempre pairando a dúvida entre “mereceu ou não?”. 

Quanto aos homens agressores, esses estão nas ruas, muitas vezes sem dedos apontados, ignorados, o que para eles, é bom demais, não é mesmo. Poucos são punidos porque, nesse caso, ser rico, de família tradicional e branco são estereótipos que a sociedade parece “aceitar” enquanto agressor de mulheres. 

Mas, passar a mão na cabeça de agressor tem deixado de regra, virado exceção. A conscientização está mudando o status de “vergonha” para coragem. E chegará o dia em que as mulheres vítimas de violência não precisarão se esconder e que os seus agressores não andarão cheios de pose nas ruas porque, efetivamente, estarão presos, punidos de verdade. É sobre isso!

Imagem: Sindicato dos Bancários de São Paulo