Os deputados estaduais Branco Mendes (Republicanos) e Tião Gomes (PSB) usaram a tribuna da Assembleia Legislativa para apresentar relatório da Polícia Federal que os afastaria da Operação Calvário, deflagrada em dezembro de 2018.
Os dois, além dos deputados à época Edmilson Soares, hoje vereador da Capital paraibana, Lindolfo Pires e Genival Matias (falecido) e Arthur Cunha Lima Filho foram citados pela então secretaria de Administração do estado, Livânia Farias, em delação premiada, como integrantes do esquema que desviou milhões da saúde.
Por conta das investigações que estavam em curso, Tião Gomes teve que abrir mão de disputar a vaga aberta para o Tribunal de Contas da Paraíba, no primeiro semestre deste ano. Era o favorito, mas acabou ficando de fora por conta da insegurança jurídica.
Tião já anunciou que não disputará mandatos em 2026, mas o relatório da PF pode trazê-lo de volta à disputa por outra vaga no TCE-PB que será aberta este mês de outubro com a aposentadoria do conselheiro Fernando Catão.
Investigações concluídas – Após dois anos de investigações, a Polícia Federal concluiu o inquérito nº 2020.0031905, instaurado a partir da colaboração premiada de Livânia Farias. O relatório final, assinado em 1º de setembro de 2025, diz que não foram encontradas provas, indícios ou qualquer movimentação financeira que confirmasse as acusações contra os deputados estaduais Edmilson Soares, Lindolfo Pires, Tião Gomes, Genival Matias (in memoriam), Branco Mendes e Arthur Cunha Lima Filho (Arthurzinho).
Segundo o relatório, “não foi possível comprovar de forma cabal a materialidade dos repasses ilícitos aos parlamentares supostamente beneficiados” e “não foram identificados registros contábeis, bancários ou documentais que demonstrem o trânsito financeiro […] não havendo elemento que permita vincular tais retiradas ao efetivo repasse aos parlamentares”.
Além disso, a PF destacou que a colaboração de Livânia Farias “não se mostrou corroborada por provas independentes suficientes para confirmar, de modo seguro, a materialidade e autoria dos supostos crimes de corrupção passiva imputados aos parlamentares”.
A conclusão do inquérito confirma, portanto, que não há prova autônoma, robusta e inequívoca capaz de afirmar que houve repasse de valores aos deputados estaduais nominados, impedindo qualquer indiciamento em relação a eles.




