Hugo Motta e o labirinto da pacificação que ninguém quer encontrar, de fato, a saída 

O paradoxo em que se transformou o Brasil: “a pacificação para mim não deve valer para você”. Se o presidente da Câmara Federal, o deputado Hugo Motta, coloca uma pauta que favoreça a turma ‘A’, é taxado de fraco, se não coloca, também. Se atende a ‘B’, a turma ‘A’ grita. Se transformou em um ciclo vicioso. E o discurso é sempre o mesmo: “vai pacificar”. Vai nada! 

Uma semana se passou desde a votação da PEC da Blindagem, questionável de uma ponta a outra, ou da urgência para construção da PEC da Anistia, agora ‘PL da Dosimetria’. O que mudou? Nada. E a culpa, caro eleitor, é dos extremos que cospem pacificação, mas cultivam o caos. 

O Congresso precisa decidir o que quer. Vota em um dia, se arrepende no outro. Aliás, os “arrependidos” só apareceram porque quem vota na urna, ou seja, quem manda, foram as ruas gritar.

Depois, o PL da Anistia, pelo texto da direita deveria ser “salvem Jair Bolsonaro”. Pelo da esquerda, “expurguem Bolsonaro”. É nesse ponto é que se percebe o quanto a discussão dos extremos é rasa e está cansando.

Hugo Motta tem repetido que é preciso tirar do caminho o que ele chamou de “pautas tóxicas”. Sabe aquele meme “chega! Já deu”. Ele tem razão. O problema é que, enquanto o presidente da Câmara fala em maturidade e foco na economia, Brasília insiste em brincar de guerra ideológica. E o plenário vira um ringue. Vergonha alheia.

Quem ganha com isso? Apenas a radicalização. Quem perde? O país inteiro. Aí nos chega a pergunta: e o povo? Esse, mais uma vez, está a espera das migalhas de seus escolhidos no voto, que muitos insistem em questionar, mas quando são eleitos comemoram e esquecem desse mesmo povo.