Após atos, Hugo Motta diz que é hora de tirar da frente “pautas tóxicas”

Um dia após os protestos pelo país contra a anistia e a chamada ‘PEC da Blindagem’, o presidente da Câmara Federal, deputado Hugo Motta (Republicanos-PB), disse nesta segunda-feira (22) que “é o momento de tirar da frente todas essas pautas tóxicas”. 

Ou seja, passadas as votações da PEC da Blindagem e do agora chamado PL da Dosimetria – ainda em formatação -, pautas defendidas pela direita bolsonarista e o Centrão, é hora de avançar.

As manifestações, que aconteceram em todas a capitais, foram uma resposta à aprovação na Câmara da Proposta de Emenda à Constituição (PEC), aprovada por 353 votos, e que blinda parlamentares de processos e da urgência do projeto de lei da anistia. 

A proposta está no Senado. O relator, Alessandro Vieira, contrário à PEC, deu sinais de que seu parecer seguirá o mesmo caminho.

“É chegado o momento de tirarmos da frente todas essas pautas tóxicas. Talvez a Câmara dos Deputados tenha tido, na semana passada, a semana mais difícil e mais desafiadora. Mas este presidente que vos fala.. nós decidimos que vamos tirar essas pautas tóxicas porque ninguém aguenta mais essa discussão”, disse Hugo Motta.

Segundo ele, “o Brasil tem que olhar pra frente, tem que discutir aquilo que realmente importa, que é uma reforma administrativa, questão do imposto de renda, da segurança pública”.

Motta deu a declaração em um evento voltado ao mercado financeiro em São Paulo. Ao ser questionado sobre as manifestações de domingo, disse que, assim como os atos contra a anistia e as que aconteceram semanas atrás a favor da anistia “demonstram que a nossa democracia segue mais viva do que nunca”. 

“Isso demonstra que a nossa população está nas ruas defendendo aquilo que acredito, e eu tenho um respeito muito grande pelas manifestações populares”, afirmou. 

Ele ponderou ainda que, como presidente da Câmara, precisa agir com “cautela” e afirmou que, apesar de o país viver um “momento desafiador”, o Parlamento tem conseguido aprovar matérias importantes. 

E destacou: “O Parlamento tem conseguido aprovar matérias importantes que acabam não tendo muita visibilidade porque a pauta que vemos o noticiário liderar, é sempre a pauta do conflito, a pauta que anima esses polos e deixa aqueles assuntos bem mais importantes e fazem parte da realidade da nossa população num segundo plano”. 

O presidente da Câmara defendeu que é preciso “olhar pra frente nessa nova perspectiva de inaugurar uma agenda que saia dessa dicotomia que nada serve ao país”.