Em meio a eleição mais acirrada da história, regida pela polarização ‘lulismo’ x ‘bolsonarismo’, mais de 158 milhões de eleitores brasileiros aptos a votar decidem, neste domingo (25) entre o retorno de um integrante da família Bolsonaro, através de Flávio (PL), ao poder e mais quatro anos de mandato para Lula.
Após uma campanha marcada pelo alto índice de rejeição aos dois candidatos, o Brasil escolhe o 40º presidente em uma eleição que pode ser a mais apertada da história. A votação acontecerá até às 17h (horário de Brasília).
Flávio e Lula disputam cerca de 49 milhões de votos, considerando 9,3 milhões de eleitores que votaram nos outros candidatos do primeiro turno e 33,4 milhões que não foram votar, provocando uma abstenção recorde de 21,07%.
Com 45 anos, Flávio é o filho mais velho de Bolsonaro e repetiu ao longo da campanha que, se vencer a eleição, concederá indulto ou graça presidencial a seu pai, que está em prisão domiciliar após ser condenado pelo STF (Supremo Tribunal Federal) por tentativa de golpe de Estado, para que ele suba a rampa do Palácio do Planalto ao seu lado na posse, marcada para o dia 5 de janeiro de 2027.
Em sabatina, Flávio não descartou dar um cargo ao pai caso seja eleito hoje. Lembrando que o ex-presidente Jair Bolsonaro está em prisão domiciliar, condenado por tentativa de golpe de estado, o que sugere um indulto como primeira medida de governo caso o senador seja eleito. Chegou ao segundo turno com vantagem numérica, ainda que mínima em relação ao petista. Pesquisas ao longo desses 20 dias apontaram empate técnico dentro da margem de erro.

Desacreditado por algumas lideranças da própria direita e do centrão quando foi escolhido por Bolsonaro para representá-lo nas urnas, no fim de 2025, Flávio se consolidou como principal oponente de Lula ao longo deste ano se apresentando como um bolsonarista mais moderado do que o pai e os irmãos, um discurso de endurecimento da política de segurança pública, como redução da maioridade penal e castração química a estupradores, e explorando os aumentos do custo de vida e de endividamento das famílias nos últimos anos.
No primeiro turno, o PL de Flávio Bolsonaro elegeu as maiores bancadas na Câmara dos Deputados (121 parlamentares) e no Senado (19 eleitos e 28 senadores ao todo). Com as adesões de cinco partidos e federações no segundo turno, o senador pode formar uma ampla base de apoio para aprovar projetos do seu interesse em um eventual governo. Essa pretensa governabilidade também foi usada como trunfo eleitoral no embate contra Lula.
Aos 80 anos, o presidente Lula explorou ao longo da campanha a experiência de três governos, indicadores positivos de emprego, e um vasto pacote de bondades no período eleitoral, como reajuste no Bolsa Família, perdão de dívidas para MEIs e proibição das bets, em busca da reeleição.
Caso vença neste domingo, o petista chegará ao quarto mandato presidencial, o que pode levá-lo a comandar o país por 16 anos – ele ficaria apenas atrás de Getúlio Vargas, que acumulou 18 anos na Presidência da República.
Nas dez eleições presidenciais disputadas desde a redemocratização, Lula foi (ou tentou se apresentar, quando estava preso, em 2018) como candidato em oito delas. Por causa da idade, ele mesmo diz que essa será sua última disputa ao Palácio do Planalto. Como companheiro de chapa, tem novamente o vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) – o vice de Flávio é o deputado federal Alfredo Gaspar (PL-AL).
Depois da frustração de virar o primeiro turno atrás de Flávio, resultado que contrariou a maior parte das pesquisas, a equipe de Lula engatou uma forte campanha digital, liderada pelo deputado federal André Janones (Rede-MG), criador do canal de WhatsApp “Exército do Lula”, com mais de 10 milhões de seguidores, e mobilizou manifestações de rua em várias regiões do país.
O alto engajamento ajudou o petista a reduzir a diferença de Flávio nas pesquisas e alimentou a esperança de uma virada que seria inédita nas eleições presidenciais: