Voto cruzado: cada vez mais sobre “pessoa física” do que ideologia

Do ponto de vista político-eleitoral, já está provado que o voto cruzado tem mais a ver com a “pessoa física” do que com ideologia. As eleições na Paraíba têm produzido cenários até um dia desses inusitados, agora protagonizado por prefeitos.

Durante um comício em Sumé, o prefeito de São João do Cariri, Chico de Eulina, ao lado de Efraim Filho, candidato ao Governo pelo PL, pediu licença e disse em alto e bom som que vota no presidente e candidato à reeleição Luís Inácio Lula da Silva (PT).

E os detalhes tornam os votos do prefeito mais interessantes. Chico é do União Brasil, partido que forma federação com o PP e que ancora a candidatura à reeleição do governador Lucas Ribeiro. Portanto, oposição a Efraim.

Já Efraim é apoiador do senador Flávio Bolsonaro (PL), candidato à Presidência da República e que polariza com Lula. As pesquisas colocam os dois empatados pela margem de erro em um eventual segundo turno. Mas, ninguém quer perder voto e o fato de o prefeito ter o mando de campo, não se discute.

E se você pensa que acabou, tem mais: Chico de Eulina apoia Veneziano Vital do Rêgo, que integra a chapa de Cícero Lucena (MDB), e João Azevêdo (PSB) para o Senado. A “cola” do prefeito contempla as três chapas ao governo que estão à frente da corrida eleitoral da Paraíba. É o famoso “dividir, para conquistar”.

O fenômeno do voto cruzado só demonstra que o pleito tem se pautado menos por questões ideológicas e mais pela figura dos candidatos, na maioria dos casos, já que persistem bolsões de votos, mas se prestar atenção ainda se trata de pessoas.

Ao final, o eleitor que lute para entender. Esse ecletismo reflete diretamente no voto. Depois, ninguém reclame.

Previous Article

André Gadelha diz que ficou sabendo de renúncia da suplente pela imprensa