O “rela” virtual do suplente de deputado estadual Manoel Ludgério (PV) no colega de coligação, o vereador Dinho Dowsley (MDB), por declarar apoio a Nabor Wanderley para o Senado, só mostra que o chamado voto cruzado é bem-vindo quando beneficia o lado que critica, do contrário…
Ludgério alega que o apoio a Nabor prejudicaria a caminhada do ex-prefeito Cícero Lucena, que é do MDB, partido de Dinho, ao Governo da Paraíba.
Partindo dessa lógica, o senador Efraim Filho (PL), também na disputa pelo Governo, poderia pedir ao seu principal cabo eleitoral em Campina Grande, o prefeito Bruno Cunha Lima, que não vote no senador Veneziano Vital do Rêgo, por exemplo, como já foi anunciado?
Afinal, o PL tem um nome na disputa: Marcelo Queiroga. Bruno, no entanto, não parece que vai fazer esse movimento: seja deixar Veneziano ou apoiar o ex-ministro.
Será que Ludgério está preocupado com Cícero ou com Veneziano? Quem acompanha política, sabe: campanhas para o governo e para o Senado têm andado cada vez mais separadas. Os votos são “diferentes”. Claro, há quem vote em chapas completas, mas a opção de não fazê-lo tem ganho adeptos na classe política.
E para ir mais além, o questionamento seria: qual a prioridade do MDB: a eleição de Cícero Lucena ou a reeleição de Veneziano? Porque ao que parece, nesse caso, o voto cruzado estaria atrapalhando o segundo.
Enquanto as respostas não chegam, embarcar nessa estratégia de constrangimentos velados devido a voto cruzado, quando você se beneficia com ele, não me parece muito inteligente. Ao contrário, está começando a chatear, e nem se trata do beneficiado.
Se é para cobrar, melhor chamar todo mundo na chincha: partido, prefeito, vereador, deputado. Sem deixar ninguém de fora. Mas, a invertida pode não ter o efeito esperado.
O anúncio de Dinho se deu no primeiro dia de campanha eleitoral, durante evento no Esporte Clube Cabo Branco, na capital. Cícero e Veneziano estavam presentes.





