O ex-prefeito de João Pessoa Cícero Lucena dá início, nesta quarta-feira (5), a mais um capítulo do jogo eleitoral. Colocou as cartas na mesa, em setembro passado, ao romper com a base do então governador João Azevêdo e se lançar em uma disputa “solo”, de tudo ou nada do ponto de vista político-pessoal. Quer mostrar que não era apenas uma “birra” pessoal ao defender seu nome como o mais viável para a disputa pelo Governo da Paraíba.
Sem nunca ter sido eleito governador, por voto próprio, mas tendo assumido o cargo lá atrás, busca coroar o vasto currículo nessa disputa de 2026 com o título. Enfrentará o candidato natural – termo rechaçado , mas que já foi incorporado pelo sucessor, o prefeito Leo Bezerra – da base governista, Lucas Ribeiro, agora governador e em busca da reeleição.
Decidiu se “aposentar” da política em 2018, após ser rifado pelo grupo Cunha Lima, o mesmo com o qual se (re)uniu para concretizar o plano de disputar o Governo do estado nas eleições deste ano. Um legítimo representante do grupo, Diogo Cunha Lima, será seu companheiro de chapa.
Não era o que Cícero queria – o favorito, Pedro Cunha Lima, decidiu ficar de fora -, mas atende ao propósito de ter alguém de Campina Grande do lado. Afinal, se trata do segundo maior colégio eleitoral do estado e onde o grupo tem voto.
Em 2020, voltou à cena política, se filiando ao PP de Aguinaldo e de Lucas, com o apoio de João Pessoa. Foi eleito prefeito de João Pessoa pela terceira vez e, com esse mesmo, reeleito em 2024. Detalhe: reeleito com o MDB, hoje sua nova casa partidária, na oposição.
Em setembro passado, após percorrer o estado e de olho nas pesquisas eleitorais que o colocavam à frente, e sem encontrar respaldo, decidiu romper, se unindo ao senador Veneziano Vital do Rêgo. Em uma aliança muito mais confortável para o senador, que se viu entre voltar à base do governo ou estar em uma chapa com um grupo contrário ao aliado Lula.
O fato é que muito mais que currículo e discurso, Cícero precisa calcular bem a rota da campanha, ampliar as bases, modular o discurso já que foi “governo” até 2025.
Cícero praticamente dividiu as oposições, antes liderada pelo senador Efraim Filho, nome do PL na disputa. Então, diga-se, não deve ser subestimado por qualquer um dos lados.
Do ponto de vista partidário, conta com três partidos na coligação, até o momento. O MDB amargou o quarto lugar na disputa pelo Governo em 2022 com Veneziano. Já não tem a tradição dos tempos de José Maranhão. E o PSD ainda está em construção no estado. Tem ainda o Democrata, esse sem tradição nenhuma na Paraíba.
Também terá o PSDB e a federação que tem ainda o Cidadania, que estava praticamente enterrado na Paraíba. Esse tem tradição, mas foi abandonado pelos políticos que lá estavam e que acabaram saindo.
Caso Cícero não consiga alcançar êxito em 2026, sem mandato a disputar em 2028 até por impedimento da Justiça Eleitoral, restará aguardar 2030.




