Declaração do ex-prefeito e pré-candidato ao governo Cícero Lucena (MDB), em entrevista à Rádio Alto Piranhas de Cajazeiras, neste sábado (9), em relação à Ponte do Futuro, obra do Governo da Paraíba, e que já está com mais da metade concluída, deu o que falar.
Afastado o contexto político, vamos falar sobre funcionalidade. A obra é útil? Não dá para ignorar a necessidade, do ponto de vista da mobilidade urbana + economia produtiva. Para se mostrar contrário à ponte, Cícero citou a questão da segurança hídrica. Um tema, óbvio, tão importante quanto e que já está inserido no palanque da pré-campanha da oposição. A pergunta é: mobilidade urbana também não deveria estar?
E não se trata aqui de defesa ou crítica, apenas uma análise de quem vivência o dia a dia da cidade e do estado. Sem falar que Cícero apoiava o atual governo quando a obra da ponte foi iniciada.
Cícero desconsidera o fato de que a ponte vai desafogar os gargalos do tráfego na região metropolitana, principalmente na Capital, de quem foi prefeito por três mandatos + 1 ano. Imagine você que João Pessoa tem como principal via de acesso urbano, uma rodovia federal, a BR-230. Sem falar na BR-101, que a liga diretamente a dois estados. Ou seja, mais gargalos. Como diria “lá em nós”: não há para onde correr.
Depois, não menos importante temos a questão econômica. A Ponte deve facilitar o escoamento da produção, e não só a que circula via Porto de Cabedelo, mas que também trafega pelas BRs.
Querer trocar mobilidade por segurança hídrica, que não há de ser desconsiderada, é importante deixar claro, defendendo que uma obra em andamento não deveria existir não parece uma boa estratégia, seja administrativa ou política. Até porque cada governo tem suas prioridades, questionáveis ou não, a depender de quem está no comando e seus aliados.
O Ramal Piancó da Transposição do São Francisco é importante? Sem dúvida. Esse projeto que Cícero trouxe à tona na entrevista está inserido no pacote de obras do PAC do Governo Lula, mas ainda tem entraves a serem vencidos, e que a bancada federal paraibana trabalha para destravar.
A oposição pode e deve criticar, mas precisa avançar. Ao invés de falar em utilidade de obra A ou B deveria estar apresentando, por exemplo, propostas para que o Ramal Piancó saia do papel, ou ainda mostrar quais projetos na área de segurança hídrica tem em mente. Só é preciso ter cuidado para, de olho em discurso para palanque eleitoral, não exagerar na dose e perder o foco.




