Daniella Ribeiro, voz necessária no combate à violência contra a mulher

A senadora Daniella Ribeiro (PP) se tornou uma das vozes mais contundentes e importantes no que se refere ao combate à violência contra a mulher não só na Paraíba, mas no país. Ao participar de um seminário sobre o tema no Tribunal de Justiça, nesta sexta-feira (10), fez um relato corajoso sobre a violência sofrida por ela quando casada com um magistrado paraibano.

Daniella deixa o Senado em fevereiro do próximo ano e não disputará a reeleição. Deixará, dentre inúmeros projetos aprovados, um que tem buscado mudar a realidade de vida de mulheres vítimas de violência: o programa nacional ‘Antes que Aconteça, que teve início na Paraíba e que a senadora é coordenadora.

Falando para desembargadores, juízes e ministros do Superior Tribunal de Justiça, a senadora detalhou violência sofrida. Ao expor, é se expor, Daniella garante às mulheres vítimas de violência uma voz e o exemplo de que é possível romper o ciclo de violência.

“Desembargador Leandro [dos Santos], enquanto o senhor estava no seu apartamento, que é o mesmo prédio que eu, eu muitas vezes estava debaixo de um travesseiro sendo sufocada. E a pessoa que fazia isso, do lado de fora, era um mestre em ser socialmente agradável”, detalhou Daniella.

Ela continuou: “Mas, por que você continuava? Eu vou dizer porque. Porque o abusador, ele faz o seguinte, primeiro ele consegue fazer com que você acredite que tudo é culpa sua. Ele consegue num dia te colocar dentro do carro e diz vou matar eu e você porque você conversou dois minutos a mais com fulano de tal e eu vi que ele olhou para você e você olhou para ele. Acusações que você começa a pesar se está ficando louca”. 

Daniella também relatou que foi obrigada a fazer uma tatuagem com a assinatura do ex-companheiro para conseguir viajar com as amigas. Após o divórcio, o nome foi coberto com o desenho de uma flor.

Ainda no discurso, Daniella Ribeiro afirmou que o juiz se afastou da magistratura quando ela disputou a Prefeitura de Campina Grande para ser seu coordenador da campanha, em 2012. Com isso, ele passou, de acordo com a senadora, a controlar quem chegaria perto dela, inclusive familiares.

“Ele afastou até meu pai. Meu pai ligava para meu irmão [Aguinaldo Ribeiro], triste porque eu estava aceitando. Na realidade, eu estava administrando”, relembrou.