A direita defende liberdade de expressão, mas só aplaude o que a mesma pensa

A direita conversadora, a que é ligada ao ex-presidente Jair Bolsonaro, insiste na tese de falta de liberdade de expressão, de ter a “voz” tolhida ou que o Supremo Tribunal Federal quer “enterrar” a Constituição. Mas, aquela velha máxima, “façam o que eu digo, mas não faça o que eu faço”, parece funcionar bem com o grupo.

A decisão equívocada do comunicador Nilvan Ferreira, nada inteligente, arrisco, de pedir boicote a uma peça porque a atriz – Carol Castro – postou uma foto vestida com a camisa do Brasil com a hashtag #brasilsoberano, e as frases “100 anistia pra golpista” e “acabou Bolsonaro”, ilustra bem.

Se o PL, partido ao qual Nilvan está voltando – aliás, sem ser unanimidade -, briga tanto em defesa da tal liberdade de expressão, seja nas redes ou nas tribunas do Congresso, qual o problema em uma pessoa expressar pensamentos? Respondo: vai de encontro ao que o bolsonarismo quer.

Não, não acho que comemorar prisão é saudável, principalmente em se tratando de ataques direitos à democracia. A discussão é bem mais embaixo. Mas, há de se defender o direito à livre manifestação dentro dos princípios da razoabilidade do respeito.

O curioso é que, com absoluta certeza, se o preso fosse o presidente Lula (PT), a direita estaria sim comemorando. Então, não cultivem a hipocrisia política direcionada às bolhas, nem afrontem a inteligência dos seres pensantes.

Voltando a Nilvan, o efeito foi contrário. A peça ‘A Manhã Seguinte’, estrelada no Teatro Santa Roza, não só esgotou os ingressos, como a equipe decidiu estender as sessões.

A política e principalmente o eleitor esperam mais dos seus representantes.