Flávio confiou no sobrenome, subestimou Lula e esqueceu de um projeto para o país

O senador Flávio Bolsonaro (PL) tinha o sobrenome, o apoio de lideranças e partidos importantes e uma militância disposta a tudo, quase que literalmente, pela vitória. Não foi suficiente.

Perdeu para o presidente e agora reeleito, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), em uma virada histórica nesse segundo turno

E a pergunta é: por que o bolsonarismo não conseguiu transformar a força nas ruas e nas redes em maioria nas urnas?

Primeiro, Flávio herdou os votos do pai Jair, mas também herdou os problemas. O sobrenome Bolsonaro mobiliza, mas também assusta. Tem força para reunir a própria tropa, mas encontra resistência quando precisa avançar sobre um eleitorado cansado dessa polarização.

Segundo, faltou identidade. Flávio tentou vender uma imagem de Bolsonaro moderado, mas não conseguiu convencer. Quando precisava conquistar voto, falava em pacificação, manter programas sociais de Lula. Não explicou como. Quando precisava agradar à militância, voltava ao discurso de confronto, de cortar tudo. O resultado desse domingo (25) foi a resposta.

Terceiro: a campanha apostou demais no antipetismo e de menos em um projeto de país. Sempre ficou claro, pelo menos para mim, ser um projeto de família. Atacar Lula por atacar, sejamos sensatos, não é apresentar uma alternativa.

E Lula soube explorar exatamente essa diferença. Foi abraçado pelo campo progressista, as pessoas foram às ruas, foram às redes como há tempos não se via. O presidente e sua campanha entenderam, e aprenderam na marra, que as redes são uma forma de comunicação que não pode mais ser ignorada.

Manteve sua força no Nordeste, mais uma vez alvo de xenofobia, preconceito pelo Bolsonarismo. Pense numa estratégia que deu certo… para Lula.

Mas existe uma derrota ainda maior para o bolsonarismo: a dificuldade de construir uma liderança que não dependa da autorização de Jair Bolsonaro.

Flávio foi o escolhido pelo pai, com direito a carta e tudo o mais, mas eleição presidencial não se ganha por herança política. É preciso ter identidade, liderança e capacidade de dialogar para além da própria bolha. Flávio vendeu deboche demais, projeto de menos.

E aqui está o recado das urnas: o bolsonarismo continua vivo, mas encontrou um teto.

A direita precisa decidir se quer continuar sendo liderada pelo bolsonarismo ou se está disposta a construir um projeto capaz de governar o país, além da pauta antipetismo.

Nomes têm. O que falta: coragem política para encarar. Não se ganha apenas sentado no gabinete. 

Ao não reconhecer o resultado das eleições, em um momento de birra, Flávio mostrou o que sempre esteve lá: não é um líder na essência, no máximo, um agitador de torcida. 

Neste domingo, venceu a democracia. E não existe nada mais democrático do que o voto.

Previous Article

Lucas diz que democracia venceu e faz apelo por pacificação nacional