Quem é o dono da camisa, da família, da liberdade? Todos e não um lado apenas

Nos últimos anos, a direita conservadora, bolsonaristas – sim, a Direita brasileira tem subdivisões – tentam transformar princípios e valores em “propriedades” de campo ideológico no qual estão inseridos.

A declaração do senador Efraim Filho (PL), durante um evento pró-Flávio Bolsonaro em São Bento (PB), ao afirmar que adversários podem até vestir a camisa, que ele e os demais “vendem” como sendo de seu agrupamento político, mas não possuem os mesmos princípios, é um exemplo claro dessa tentativa de estabelecer um monopólio moral sobre temas que não pertencem a partido, ideologia ou liderança. Muito menos a um mito e seus descendentes.

Ele referiu à camisa, que é a da Seleção Brasileira, a vida, a família e a liberdade…

Vejamos:

Sobre a camisa verde e amarela, basta fazer conta, o bolsonarismo surgiu em 2018. A Seleção Brasileira ganhou a primeira Copa do Mundo em 1958. Tirando o desconhecimento da taboada, o sequestro da “amarelinha” mostra a total incapacidade de se criar um símbolo próprio. Ô minha gente…

Sobre a vida. Primeiro, que ninguém em sã consciência defende a morte. O tema aborto, que é uma das pautas faladas pelo bolsonarismo, precisa ser tratado além de ideologias. E vocês sabem disso.

O que dizer da liberdade: é a de Jair Bolsonaro ou a de expressão. A do ex-presidente, tratem na Justiça. A de expressão, os ditos de direita precisam praticar o que falam já que se irritam, agridem, chegam às vias de fato contra quem pensa, fala diferente do que querem ouvir.

Que Direita é essa que, em vez de convencer pelo argumento, busca desqualificar o adversário pela identidade política. E essa premissa vale para todos os dois extremos.

Ah, não vamos nos esquecer da familia. Se for para  defender pessoas que ganham favores sexuais, são chegadas a orgias e dizem ser “família”, algo está muito errado na nossa sociedade.

Declarações como essa de Efraim, copiadas e replicadas, podem mobilizar militantes, servir para cortes de redes sociais, não se sustentam em um debate sério.

A questão é: por que alguém que acredita tanto na força dos próprios princípios precisaria negar aos adversários a capacidade de também possuí-los?

Princípios não são uniformes partidários. Não se comprovam pela cor da camisa, pela sigla partidária ou pela fidelidade a uma liderança. Se comprovam na coerência entre o que se defende e o que se faz. E é justamente aí que o discurso, de moral duvidosa, alguns diriam, precisa ser colocado à prova.

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