Coligação de Cícero protocola AIJE com denúncia de suposta compra de votos

A Coordenação Jurídica da Coligação ‘Juntos para a Paraíba Dar o Próximo Passo’, que é encabeçada pelo ex-prefeito Cícero Lucena (MDB), protocolou mais uma Ação de Investigação Judicial Eleitoral (AIJE) cumulada com representação por captação ilícita de sufrágio e conduta vedada no Tribunal Regional Eleitoral da Paraíba (TRE-PB).

Tratada de ‘AIJE Shoppe do voto’, a denúncia detalhada em entrevista coletiva pelo advogado Walter Agra, na manhã desta quarta-feira (30), aponta o funcionamento de uma plataforma digital estruturada para mapear, cooptar e gerenciar promessas de vantagens a eleitores em troca de votos na campanha à reeleição do governador Lucas Ribeiro. A AIJE corre em segredo de justiça.

O processo aponta que a estrutura operava por meio do sistema eletrônico “Visitas Qualificadas 2026” (VQ2026), hospedado no domínio qualificada83.com.br. Diferente de uma pesquisa de opinião tradicional, o software registrava o voto do morador “antes e depois” da abordagem do cadastrador, catalogava demandas sociais individuais.

De acordo com a petição inicial, a operação teria mobilizou uma rede ramificada em 17 grupos territoriais, cobrindo integralmente João Pessoa, Bayeux, Cabedelo e Santa Rita. Em apenas cinco dias de monitoramento registrado pelo próprio sistema (30 de agosto a 3 de setembro de 2026), foram contabilizadas 8.526 visitas e geradas 1.721 demandas de cidadãos, além de quase 7 mil pontos marcados para revisita.

O cruzamento de dados realizado pela defesa com o Portal da Transparência do Estado revelou que pelo menos 276 colaboradores cadastrados no sistema seriam servidores públicos estaduais.

O advogado Walter Agra Junior afirmou que a Coligação requereu ao TRE-PB a concessão de tutela cautelar de urgência para a preservação integral das provas digitais – incluindo o acionamento de provedores de hospedagem, bancos de dados em nuvem e requisição de imagens de câmeras de segurança públicas -, além da juntada de procedimentos correlatos em trâmite no Ministério Público Eleitoral.

Também pede o reconhecimento das irregularidades com a consequente cassação dos registros ou diplomas dos investigados, aplicação de multas pecuniárias máximas e a declaração de inelegibilidade pelo prazo de oito anos.

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