Ao tentar criticar o uso de emendas em benefício de pré-candidaturas ao Senado, André Gadelha só se esqueceu de uma coisa: o senador Veneziano Vital do Rêgo, seu aliado e futuro companheiro de chapa, também tem um fundão eleitoral fixo chamado “emenda”.
Pré-candidato ao Senado na pretensa chapa que tem Veneziano, e a ser encabeçada por Cícero Lucena, o ex-prefeito classificou o cenário das eleições deste ano como “desigual” na busca por apoio por conta das emendas.
“A abordagem por parte de candidatos se utilizando de emendas que tem a mais de um presidente de um poder é de assustar, de chamar atenção da Justiça e principalmente do povo paraibano. Que o povo possa refletir o seu voto. O voto de Senado é um voto de conceito que irá trabalhar pela Paraíba e pelo Brasil por oito anos, é um mandato diferenciado”, disse na chegada à sessão da Assembleia Legislativa nesta terça-feira (2).
O presidente do poder a que ele se refere é o deputado Hugo Motta, que comanda a Câmara Federal e tem o pai, Nabor Wanderley, na disputa por uma das vagas ao Senado.
André chegou a destacar que deputados recebem, em quatro anos, R$ 300 milhões em emendas e sugere que presidente de um poder receberia valores a mais.
Mas, o valor recebido por um deputado é o mesmo de um senador. No caso de Veneziano, que está no oitavo ano do mandato, é possível dizer, tomando por base a conta de André Gadelha, que o volume de recursos a que o emedebista teve acesso beira quase os R$ 600 milhões. Sem contar que o emedebista foi vice-presidente do Senado por quatro anos.
“O que está sendo feito é um jogo injusto para os paraibanos, porque não é ganhar de André ou de Vené, é enganar as lideranças locais porque eles são sabedores que não vão receber esse dinheiro e, se receber, é absurdo. É usar as emendas como uma moeda de troca”, pontuou.
A crítica é pertinente por parte de quem não tem mandato parlamentar e, sem acesso a esse fundão eleitoral fixo. De fato é uma desvantagem para quem não tem, mas emenda não é garantia certa de vitória. Por outro lado, se é para criticar, que não se faça de forma seletiva. Nesse caso, olhar para o próprio umbigo não é demais.





