Já passou da hora de a Prefeitura de João Pessoa resolver a questão dos trabalhadores informais, seja no centro da cidade ou na orla marítima. E a Câmara Municipal pode e deve atuar o fiel da balança. O que não dá é para a população assistir a protestos e operações que, na grande maioria da vezes, acaba em danos para os dois lados.
Que fique claro que esse não é um problema da gestão Cícero Lucena, vem de antes. Mas, a cidade, que tem estado na crista da onda do turismo, precisa avançar na discussão e solução.
Na tarde desta segunda-feira (13), a Câmara realizou audiência pública, proposta pelo vereador Raoni Mendes (PSD), para debater o ordenamento da orla de João Pessoa. Participaram representantes de trabalhadores que atuam no local.
“A orla marítima de João Pessoa tem ganhado contextos cada vez mais de destaque nacional. Seu ordenamento é necessário, tanto que tramita, em um dos termos de ajustamento de conduta dos Ministérios Públicos Estadual e Federal com a Prefeitura, uma regulamentação daquela área”, afirmou.
A presidente do Sindicato dos Ambulantes de João Pessoa, Márcia Medeiros, falou que é preciso pensar no ordenamento da orla, mas que é preciso levar em consideração as pessoas que sobrevivem da orla.
“A gente acredita que é muito bom ter grandes prédios, calçadas super organizadas e limpas, o esporte funcionando, mas como estão as pessoas desta cidade? Como estão comendo, dormindo? O trabalho dela, ali, representa quantas outras pessoas? Esses trabalhadores que estão aqui merecem todo o nosso carinho e atenção”, destacou.
O procurador federal João Raphael pontuou a importância do debate a respeito do ordenamento da orla da capital. “O Ministério Público Federal, junto com o Ministério Público Estadual, anteriormente, já tinham participado da discussão de um TAC, mas é óbvio que a população e os diretamente envolvidos, nos últimos dias, os ambulantes, tem o direito de serem ouvidos e participarem de maneira mais ativa, como caixa de ressonância das pressões populares”, avaliou.
Ele complementou: “Não é uma solução fácil. É preciso compreender que há diversos interesses em jogo e, para se ter uma discussão mais racional, calcada na técnica e na ciência, esse mapeamento que o Ministério Público Federal propõe é primordial, para que haja uma discussão séria sobre recuperação de restinga e destinação ou não destinação de áreas na nossa praia”.





