Com estratégia do PT, de “dividir para conquistar”, fica difícil justificar o não apoio a Lula

A estratégia do PT nacional, de não tratar partido e o presidente Lula como um só, pode ajudar os pré-candidatos ao governo e ao Senado na Paraíba, que não terão o PT fixo na chapa e no guia eleitoral.

Em entrevista à jornalista Jaceline Marques, o presidente da legenda, Edinho Silva, fez questão de dizer que são duas “instituições” diferentes, mas quem declarar apoio a Lula, ainda que o PT esteja em outro lugar, pode garantir seu quinhão junto ao presidente.

Nesse sábado (11), o diretório estadual do PT da Paraíba aprovou resolução, por unanimidade, pelo apoio ao projeto de reeleição do governador Lucas Ribeiro (PP). Também quer indicar a vaga de vice e espaços na gestão. Essa discussão ainda está acontecendo.

Mas, o movimento descrito por Edinho, não descarta de vez um apoio informal de Lula ao ex-prefeito Cícero Lucena (MDB), que garantiu palanque ao petista para depois reformular o discurso de que só haveria palanque se estivesse na coligação.

Edinho disse respeitar a decisão de Cícero, mas enfatizou que PT e Lula são instituições distintas e sugeriu que o presidente da República quer um palanque amplo com diversos partidos políticos e lideranças.

“Não tem nada que impeça que o presidente Lula tenha dois palanques na Paraíba. O que tem que ficar claro é que são duas instituições distintas. Uma é o Partido dos Trabalhadores, que pode fazer escolhas de acordo com suas táticas de fortalecimento. Outra coisa é o presidente Lula. [Ele] constrói suas relações políticas, sua tática eleitoral de acordo com a realidade da construção de sua candidatura majoritária”, disse.

E arrematou: “Nada impede que o PT, nos estados, assuma uma posição e o presidente Lula, uma outra”.

O “dividir para conquistar” também vale para a disputa pelas vagas ao Senado. Na Paraíba, o PT ainda não bateu o martelo. O ex-governador João Azevêdo e o senador Veneziano Vital do Rêgo, mas o ex-prefeito de Patos Nabor Wanderley também tem a simpatia de Lula. Os três já declaram apoio ao petista e podem sim dividir o espólio na Paraíba, independente de quem para quem o PT sinalizar.

Lucas, Joao e Nabor formam uma chapa e Cícero e Veneziano, outra. Correndo por fora, tem a pré-candidatura de Olímpio Rocha, do PSOL, no campo da centro-esquerda. No quesito oposição a Lula, o senador Efraim Filho (PL) aposta na força da direita conservadora que cresce no estado, tendo como líder o senador Flávio Bolsonaro, adversário de Lula.