O ex-governador Cássio Cunha Lima acabou por produzir a própria “tempestade” ao sugerir que a desembargadora Fátima Bezerra, do Tribunal de Justiça da Paraíba, teria influenciado, ainda que indiretamente, no seu processo de cassação – que teve início em 2007 e culminou na perda definitiva do mandato em fevereiro de 2009.
As declarações foram dadas em entrevista ao Podcast ‘Fez história agora conta’.
Ao fazer isso, Cássio atinge diretamente um dos maiores nomes do MDB da Paraíba que foi José Maranhão (morto em 2021 vitima de complicações da Covid-19), que era o segundo colocado e assumiu o mandato de governador à época. Ele era casado com a desembargadora Fátima Bezerra, e que não integrava a Corte Eleitoral.
Colocou no pacote da influência o empresário Roberto Cavalcanti, presidente do Sistema Correio de Comunicação, e que era primeiro suplente de Maranhão no Senado e assumiu a titularidade do mandato.
De quebra, a tempestade de Cássio acabou por resvalar no senador Veneziano Vital do Rêgo, que comanda o partido no estado e a quem Maranhão confiou a legenda, e ainda no prefeito de Capital, Cícero Lucena, que retornou ao MDB recentemente e deve ser confirmado como candidato ao governo mais à frente.
Cássio, através do filho, o ex-deputado Pedro Cunha Lima (PSD), apoia Cícero para a disputa pelo governo da Paraíba. Especula-se que um dos dois pode figurar na pretensa chapa, na vaga de vice.
Quase duas décadas depois, tudo que o MDB e até mesmo Cássio, por toda a historia política além cassação que representa, precisa é de uma “tempestade perfeita”.
Caberia uma resposta por parte do MDB, de Veneziano, e até mesmo de Cícero que, ao ser rifado por Cássio lá atrás, apoiou Maranhão? Faltou tato por parte do ex-senador, e até estratégia política, por mais que carregue como injustiça o episódio que marcou sua destacada trajetória.




