Pedro: o peso do sobrenome e querer fazer política, mas não da forma como é feita hoje

Vira e mexe as especulações de que o ex-deputado Pedro Cunha Lima, presidente do PSD na Paraíba, vai abrir mão de disputar o governo do estado em 2026. Em uma análise rápida, poderia se dizer que a vontade existe, mas nos termos que Pedro estabeleceu para si, sem peso e amarras, nunca será. Pelo menos, a curto prazo.

Pedro carrega o peso do sobrenome Cunha Lima, de ser o sucessor de Ronaldo e Cássio. Arriscaria dizer que há certa culpa em não corresponder a altura do que se esperaria de um sucessor, de ir para uma disputa aberto a tudo e a todos.

Acompanhando entrevistas do ex-deputado, é nítido de que ele gosta da política e do que ela deveria representar na essência, mas não tem “estômago” para se submeter a política de acordos, de “compromissos” firmados no pré-eleição. Acordos esses que fizeram com que seu grupo chegasse onde chegou. Não dá para fechar os olhos.

O movimento de uma nova política, que Pedro tanto defende, ainda está longe de virar realidade. Insiste que não tem apego a cargos, e é certo que não tem, talvez essa máxima torne sua desistência até mais entendível.

Agora, enquanto presidente de um partido grande nacionalmente, com tempo de TV, fundo partidário, precisará fazer uma escolha. Não pode e nem deve se furtar a fazê-la em consideração aos seus eleitores.

Enquanto alguém que busca uma nova política precisa ser um pouco mais diligente, transparente e não apenas procrastinar uma decisão que se sabe já está tomada.

Por mais que Pedro diga que não tem encontrado amparo na própria família, também não demonstra interesse em levar adiante essa candidatura, porque isso envolveria o que citei acima, para além de apresentar propostas, saber que precisa abrir mão de ideiais que, ao meu ver, parecem caros para ele.

Pedro é cobiçado, lembrado, mas não é aquele que é procurado para dar a palavra final. Não é aquele que bate a mão na mesa. Veja, na política de hoje, às vezes, é preciso falar alto.

Por outro lado, não é alguém que possa ser subestimado ou alijado de um processo eleitoral. Tem muito a contribuir.

Ninguém se elege sozinho. Pedro chegou ao segundo turno a várias mãos em 2022 e talvez até tivesse ganho se o modelo que adotou para si não fosse na contramão da política atual. Por isso, encontrou e encontra barreiras dentro de “casa”. Por isso, pode alterar o próprio rumo, e não é demérito nenhum desistir.