Vitor Hugo e o discurso pobre de que não se deve ajudar pessoas em situação de rua

O que é mais correto: alimentar as pessoas em situação de rua ou deixá-las com fome, desassistidas? Pelas declarações do secretário de Turismo da Capital, Vitor Hugo Castelliano, a segunda opção para ser a que o mesmo defende. As declarações foram foram dadas pelo ex-prefeito de Cabedelo em sessão especial na Câmara de João Pessoa.

A questão não é alimentar ou não, garantir um casaco ou doar um colchão. O que Vitor Hugo deveria se perguntar é: o que o poder público, nesse caso o municipal, está fazendo para tirar essas pessoas das ruas.

Claro, as situações precisam ser avaliadas caso a caso. Existem pessoas em situação de rua que, diante de uma vulnerabilidade social, não encontra outra saída, tem pessoas doentes e, claro, aqueles que estão ali apenas para tirar vantagens. Mas, a grande maioria precisa de ajuda.

Vitor Hugo até chegou a pedir que o Ministério Público, que ele considera crítico das ações enérgicas da Prefeitura, que estivesse presente. Que seja! Mas, quem poderá julgar quem ajuda.

O que disse o ex-prefeito: “Quem mora no quarteirão de trás da praia não vê aquilo [moradores de rua] todo dia. Então não incomoda ele, mas agrada a ele ir lá e entregar o almoço, o jantar todos os dias. ‘Estou fazendo minha parte como cidadão’ e isso não é correto. Temos que ter esse olhar e entender que alimentar essas pessoas diariamente não é correto. Mas quem tem coragem para dizer isso perante a sociedade?”.

O secretário, claro, pensa apenas pelo lado do turismo, afinal João Pessoa cresceu em tamanho e em busca por seus atrativos. Mas, não dá para simplesmente afastar as pessoas em situação de rua da orla e empurrar para longe dos holofotes. A cidade é uma só.