Abrir mão da reeleição não é um simples gesto de “mãe” para Daniella Ribeiro

Mais do que um gesto de mãe, literalmente, um gesto político que muitos nem cogitariam, independente dos laços. A quem diga que a atitude da senadora Daniella Ribeiro é fácil, mas, convenhamos, abrir mão de uma reeleição, talvez não garantida, mas no páreo, é difícil.

Ainda mais tendo conquistado espaços importantes, a exemplo da presidência da Comissão Mista de Orçamento e, agora, eleita a primeira mulher secretária do Senado Federal, uma espécie de “prefeita” da Casa para explicar melhor.

Em se tratando de representatividade e da luta por esta, Daniella, independente de qual lado político habite, tem sim cumprido bem o seu papel.

Em discurso na convenção nacional do Progressistas, nessa terça-feira (19), Daniella confirmou o que já havia dito na Paraíba, de que, aos 53 anos, abre mão da candidatura à reeleição para que o filho, o vice-governador Lucas Ribeiro, dispute o governo.

Referendou a tese de que não cabem dois “Ribeiro” na chapa majoritária. Até caberiam já que não se pode desconsiderar a legitimidade e a capacidade política de Daniella de manter seus espaços. Mas, por estratégia eleitoral, vai para o sacrifício que, repito, não é apenas de uma mãe, mas por um projeto de se manter espaços conquistados por essa base que aí está.

Lucas caminha para assumir o governo a partir de abril de 2026, caso João Azevêdo crave a saída para disputar uma das duas vagas ao Senado. Tem direito natural à reeleição, poderia até escolher não ter, mas ninguém pode tolher o direito. E é aí que entra o direito, não o dever, de Daniella, de sair dessa disputa.

“Facilmente, eu poderia dizer: Lucas sentado na sua cadeira e se fosse projeto pessoal, Daniella vai ser reeleita facilmente. Mas, aí é onde mostra o espírito público de quem pensa no partido, de quem pensa no estado e no projeto e na continuidade, no caso nosso, de um projeto que vem dando certo”, disse Daniella durante o discurso.