O MDB da Paraiba tem assistido a sua base se afastar da pré-candidatura do ex-prefeito Cícero Lucena ao governo da Paraiba e de uma possível reeleição de Veneziano Vital do Rêgo ao Senado. A debandada de apoio de prefeitos da legenda e de deputados a nomes da base governista já é um indicativo de que algo não está certo.
A última migração eleitoral ocorreu no município de Sobrado, onde o prefeito Léo Martins, filiado ao MDB, deixou Cícero e anunciou apoio ao projeto de reeleição do governador Lucas Ribeiro. Levantamento feito com base em declarações e postagens nas redes sociais, dos 23 prefeitos eleitos pelo MDB em 2024, mais da metade já deixou o barco de Cícero.
Em se tratando da disputa pelas duas vagas ao Senado, Veneziano pode até manter os apoios, mas não tem conseguido emplacar o segundo nome do MDB, no caso, André Gadelha. A maioria da bancada do partido na Assembleia Legislativa, por exemplo, já declarou como segundo voto, Nabor Wanderley (Republicanos), pré-candidato ao Senado da base governista. E já avisaram que não voltarão atrás na palavra dada.
Entre os prefeitos do MDB, apenas uma parcela mantém alinhamento direto com Veneziano, enquanto outros já aparecem vinculados a diferentes grupos políticos. Há casos de prefeitos que apoiam simultaneamente Veneziano e outras lideranças estaduais, demonstrando a ausência de uma orientação unificada dentro da legenda.
Em entrevista recente, Veneziano mostrou certo descontentamento e disse que vai conversar com os companheiros de legenda. Buscará a unidade para a chapa. A essa altura, difícil de reverter. Aliás, essa unidade também foi cobrada pelo presidente do PSD na Paraíba, Pedro Cunha Lima. Os dois partidos já firmaram aliança para as eleições deste ano.
Embora seja a principal liderança da legenda no estado, a movimentação de prefeitos e aliados para projetos adversários sugere dificuldades para manter a coesão interna e consolidar uma base municipal homogênea para a disputa eleitoral de 2026.
Para Cícero Lucena, que rompeu com a base governista alegando ter sido preterido, tem enfrentado esse mesmo sentimento de resistência dentro do próprio partido. Acende o sinal vermelho de que precisa ampliar as articulações políticas para consolidar a competitividade.
Com a aproximação do campanha eleitoral propriamente dita, a disputa por bases municipais, com os prefeitos como protagonistas, tende a se intensificar.




