Cícero e Cássio: entre “tapas e beijos” e o gesto que diz muito sobre a política nossa de cada dia

Depois do “Cunha Lima nunca mais”, o prefeito de João Pessoa, Cícero Lucena (MDB), e o ex-senador Cássio Cunha Lima selaram as pazes, de vez, com um beijo na face dado pelo emedebista, que é pré-candidato ao governo com apoio do ex-deputado Pedro Cunha Lima (PSD).

Os dois se encontraram, neste sábado (21), na praia de Tambaú, em João Pessoa. Os dois são exemplos de que a política é feita de ciclos cada vez mais rápidos, e de gestos. Ou seja, nada como uma eleição e uma outra no meio.

Com o abraço, Cássio faz um gesto público de apoio a Cícero Lucena, que foi vice de Ronaldo Cunha Lima e tido como leal à família até a ruptura.

Não é apenas redenção, é sobrevivência política do grupo Cunha Lima. Além do que Cícero não está errado em buscar o fortalecimento de seu projeto político. Há muito em jogo.

Pedro, aliás, tem sofrido uma “pressão” positiva para ocupar a vaga de vice na pretensa chapa de Cícero. Até agora, tem rejeitado a proposta, mas ainda há tempo.

As decisões de Cássio, lá atrás, foram responsáveis por Cícero deixar a política. Voltou em 2020, com apoio da base do governador João Azevêdo e numa disputa contra o grupo Cunha Lima, representado pelo deputado federal Ruy Carneiro. O mesmo aconteceu na reeleição, em 2024, em uma campanha marcada por ataques pessoais.

Agora, se (re)unem. Cícero está na disputa pela oposição. Se confirmada a candidatura nas convenções, deve ter como adversários o senador Efraim Filho (União Brasil), que até dia desses tinha Pedro como aliado, e o vice-governador Lucas Ribeiro (PP).