Jutay defende Hugo: “quando a pauta favorece o governo, é aplaudido. Quando não, é criticado”

O deputado estadual Jutay Menezes fez uma análise fria sobre os ataques verbais infringidos ao presidente da Câmara Federal, Hugo Motta (Republicanos-PB), após a aprovação do chamado Projeto de Lei da Dosimetria.

Ele questionou o fato de a esquerda, que foi às ruas e pesou a mão contra Hugo, criticar o paraibano, mas quando este coloca em pauta propostas defendidas pelo Governo Lula é aplaudido.

E que o governo, ao apoiar manifestações contra o Congresso, que é soberano, tensiona ainda mais as relações entre os poderes.

“O deputado Hugo Motta, quando pauta algo que favorece ao governo, é aplaudido pelo governo. Quando ele pauta algo que deve ser pautado, porque o Congresso é isso, feito de debates. Você nunca vai colocar algo que favoreça apenas um lado e o plenário, por ser soberano, é que vai discutir, se aprova ou não”, avaliou Jutay em entrevista ao 60 Minutos (Arapuan FM).

É preciso deixar claro que o Colegiado de Líderes define a pauta e que a proposta da anistia ampla, geral e irrestrita foi afastada por Hugo Motta desde o início, por isso, o PL da Dosimetria. Não é o melhor, mas em um país ainda tão polarizado, qualquer proposta seria rebatida pela esquerda ou pela direita, sem entrar no mérito, a depender da conveniência.

Sem falar que a proposta foi aprovada em Plenário por 291 votos a 148 e será enviada ao Senado. Dos 12 deputados paraibanos, dois votaram contra – Gervásio Maia e Luiz Couto e quatro a favor – Mersinho Lucena, Romero Rodrigues, Cabo Gilberto Silva e Ruy Carneiro. Cinco não votaram e Hugo Motta usou da prerrogativa de presidente para não votar.

Se é para apontar culpados, o “justo” não seria enquadrar 291 deputados federais que disseram ‘Sim’ ao PL da Dosimetria?

Jutay também deixou claro que a manifestação é um direito de todos, mas que as pessoas têm extrapolado limites e partindo para o lado pessoal, “ofendendo” a honra.

Citou como exemplo as manifestações de domingo por pessoas que criticaram a quebradeira e puxações no 8 de janeiro, mas fizeram o mesmo esse final de semana.

Ele resumiu bem o looping em que o Brasil se encontra: “Para um lado é democracia, para o outro, é ditadura. Se for contrário, você é ditador, anarquista. Se você é do outro lado, é extremista, lulista ou bolsonarista”.