Esse “negócio da China” que saiu da cabeça do senador Flávio Bolsonaro, mas certamente com aval do pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, faltou combinar com tanta gente que é difícil acreditar que vingue.
Na semana passada, o filho ‘01’ disse que o pai, cumprindo pena em Brasília, o elegeu como representante da família, pelo visto do PL, para a disputa pela presidência da República em 2026.
Dias depois, Flávio sai com o tal “negócio”: pode abrir mão em troca da votação, pelo Congresso, da anistia ampla, geral e irrestrita. O objetivo: livrar o pai da prisão.
Arriscaria dizer que é uma tese utópica e surreal, mas quando se trata da política brasileira, quem danado colocaria a mão no fogo.
Vamos analisar algumas teorias:
Primeiro, faltou combinar com o Centrão, leia-se União Brasil, Republicanos, PP e PSD. Partidos que são aliados de Bolsonaro, mas que têm vida própria, ficaram quietos diante do anúncio, via porta-voz, de Bolsonaro. Ou seja, amigos, amigos, negócios só se interessar diretamente a eles.
Segundo, nem todos do PL – o deputado Otoni de Paula foi às redes – engoliram Flávio como o “ungido”, mas já que não tem outro jeito…, que dirá depois aceitar perder um potencial candidato em 2026, que puxaria votos não apenas para a legenda, mas para os seguidores de mandato.
Terceiro, a população já deu sinais de que não aceita uma anistia ampla, geral e irrestrita para os baderneiros do 8 de janeiro. O Congresso vai comprar briga com quem vota em ano eleitoral? A queda da PEC da Blindagem deu seu recado.
Quarto, os comandantes do Congresso – o deputado federal Hugo Motta e o senador Davi Alcolumbre – já avisaram que, se passar algum tipo de anistia, será através do Projeto de Lei da Dosimetria, que está em construção e não beneficiaria Bolsonaro.
Quinto, quem garante que, se essa proposta “indecente” de Flávio Bolsonaro fosse aceita, que não haveria ninguém da família ou do PL na disputa de 2026. Basta trocar de partido e resolve.
Moral da história: Flávio Bolsonaro, na disputa de 2026, nada mais é que uma cortina de fumaça para um projeto pessoal, o de Jair Bolsonaro, que continuaria inelegível mesmo que anistiado.




