Hugo Motta romper com os “extremos” não é de todo ruim

Alguns poderiam até chamar de “surto” – palavra do moda nesse país – a decisão do deputado Hugo Motta (Republicanos-PB), presidente da Câmara Federal, de romper com os líderes dos “extremos” – os deputados Lindbergh Farias (PT) e Sóstenes Cavalcanti (PL). Mas, poderia significar também que não fará falta já que esses extremos não têm levado o Brasil a lugar nenhum.

É certo afirmar que está faltando bom senso aos líderes do PT e PL, que levam a vida a gritar na tribuna e, mais ainda nas redes sociais, porque as bolhas precisam ser “alimentadas”.

E não, não é saudável. Nada anda nesse país. Tudo é sobre o “eu” e nada sobre “nós”. Até quando essa polarização vai dominar a pauta do Congresso Nacional, enquanto temas importantes vão caindo no esquecimento ou sendo discutidos a toque de caixa?

Voltando a Hugo, que foi eleito com apoio de todos os partidos da Casa, o paraibano tem recebido uma conta ainda mais “superfaturada” a cada dia que passa sentado na cadeira. E, como bom sertanejo, parece ter atingido a cota de paciência.

Foi arriscado romper? Sim. Foi a decisão mais assertiva? Não dá para mensurar. Mas, uma coisa é certa: alguns setores da Câmara precisam parar de olhar para o próprio umbigo.

Enquanto os extremos se degladiam, o Centrão vai ocupando os espaços.

A queixa de Hugo para com o líder do PT, que é paraibano de nascimento, seria a postura de “querer mandar” como se fosse um porta-voz do presidente Lula. Nesse caso, mais atrapalha do que ajuda.

Já em relação a Sóstenes, as constantes ameaças veladas ao presidente da Câmara – a última de travar a pauta em troca da anistia a Jair Bolsonaro -, irritaram Motta. Não há clima para anistia ampla, geral e irrestrita. Até o PL sabe, mas prefere causar.

Se até Hugo cansou, avalie o eleitor comum que só quer ver seus interesses andarem sem moeda de troca.