Cícero e o aceno da oposição que mais parece boicote do que apoio

Antes a estratégia da oposição era trazer, ou tirar, o prefeito da Capital, Cícero Lucena (sem partido), da base governista. Agora, querem que ele assuma um discurso de ataques ao governador João Azevêdo minando, por tabela, a parceria administrativa entre os dois gestores, o que não parece inteligente e pode ter reflexos eleitorais negativos para o prefeito.

Há tempos que a oposição torce por um racha na base do governo como se dependessem disso para sobreviver. É de uma boca só: “nós antevemos”, “nós avisamos”, quase como um “nós torcemos”… Mas, não deveria ser a base do governo a se preocupar com rachas? Sem falar até a oposição está tão dividida quanto.

Semana passada, o deputado Tovar Correia Lima, que já declarou ter preferência por Pedro Cunha Lima, afirmou que só acredita que Cícero está na oposição quando este começar a falar e agir como tal.

O mesmo texto repetiu o líder da oposição na Assembleia Legislativa, George Morais, em entrevista à CBN Paraíba, nesta quarta-feira (1º). Claro, está puxando a sardinha para o irmão, o senador Efraim Filho, cuja candidatura seu grupo repete: é irreversível.

Antes de Cícero deixar o PP, a oposição fez acenos e mais acenos. Agora, querem mais, e sem garantir espaços em chapa majoritária. Corrijo, pode até abrir espaço, mas não a cabeça de chapa. Ou seja, terá que correr em chapa própria porque a encabeçada por Efraim já está fechada.

O fato é que Cícero não tem uma justificativa sólida para assumir um discurso de oposição ferrenha ao Governo João Azevêdo, não sem correr riscos eleitorais. E, ao que parece, já entendeu isso.

Afinal, desde 2020, a parceria Governo-Prefeitura tem beneficiado João Pessoa, até então a mercê de gestões conflitantes entre estado e município. Como diria, o deputado Hervázio Bezerra: “o eleitor não é besta, amigo”.

O discurso de parte da oposição a Cícero mais parece boicote do que apoio.